E-cronicos
  crônica

Em busca do Gardenal

 

 

 

Jean Paul Sartre* certo dia disse: “O homem é um ser condenado à liberdade”. Acredito que neste exato momento você possa estar se questionando: - Sei lá, este cara é o maior maluco! E você pode estar certo, afinal, se a liberdade é castigo, ele como todo bom condenado está cumprindo sua pena. (Pelo menos é assim que deve ser.)

Isto nos persegue a cada hora, minuto... da nossa vida, desde a hora do nascimento. É fácil perceber isto. Quando você nasce, uma criança pura, linda, sem nenhuma marca da sociedade. – Ao menos na sua formação psicológica – Você já dá de cara com esta tal condenação. Vejamos: Logo aparece aquela vizinha “Super-Grude” que não perde a oportunidade de se meter e diz:

 - Ô! Que coisinha linda! É a cara do pai.

Logo, chega aquela tia sua que não vai muito com a cara da vizinha e diz:

- Não fofa. Ele é a cara da mãe, será que você não tá vendo?

Depois das “farpas” iniciais – isto no seu primeiro dia de existência – te levam para casa, e lá continua o seu processo de despersonalização. O nariz é da vovó, os olhos são do tio Antônio, as orelhas da tia Margarida, a boca do primo Astrogildo, os ombrinhos tortos da prima Matilde, e segue Ad Infinitum até não sobrar nada que seja seu de verdade.

Assim o frágil bebê de agora a pouco cresce, estuda, come o pão que o diabo amassou para adquirir um punhado de conhecimento – tudo a base de “livroterapia” e ainda assim aparece  - sempre aparece – alguém pra te botar a baixo:

- Olha lá, tá vendo tá vendo Georggio? Rapaz inteligente ali. Né nada não, puxou ao pai.

E você continua sendo um invólucro cheio de pedacinhos de outras pessoas. Outros inquisitores vêm e põem naquele tópico  que você criou só para questionar sua existência – condenação. Uma carga de comentário do tipo:

- Não entendi nada; É cada maluco que me aparece; Doido é aí; Enquanto isso na sala de justiça... É, temos algum tradutor no portal? Não sabia, deve ser primo de Deepak.

Vê se pode uma coisa dessas? Você como todo bom réu, tenta cumprir em paz a sua pena de ser livre, e te descaracterizam quando você nasce, depois te chamam de maluco. E quando você demonstra um certo grau de inteligência, dizem que isso é porque você é primo de Deepak. Não que eu tenha algo contra ser primo de Deepak, o conheço, é meu amigo, é inteligente, mas não é meu primo. Confesso que eu, não sei Sartre, vou em busca do velho e bom Gardenal, pois, os “doutores” já constataram que sou maluco. Só espero que o rapaz da sala de justiça não esteja na mesma vara que o Juiz Lalau; pois, se um dia for pedir revisão de processo, espero sair por bom comportamento.

 

 

por LITERATUS

 

* Jean Paul Sartre – Filósofo existencialista, francês.



Escrito por ecronicos às 19h40
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  "Inho" e o dilema do sucesso.

Alguém já parou pra observar o peso do "inho" nas costas de quem na verdade pode ser "ão"? Calma, eu explico.

Nas relações interpessoais, quanto mais se gosta, quanto mais se é íntimo do outro, é que se chama esse outro de "inho". E, consequentemente espera-se muito dessa pessoa..., principalmente em cidades pequenas; funciona mais ou menos desta forma: Alguém que gosta de você e por quem você fez ou faz algo importante, dar carinho ou amor por exemplo, começa a te chamar de Juninho, e de repente o padeiro da esquina, o oculista, aquele dentista, o artista da cidade, aquele grupo religioso, enfim todo mundo está te conhecendo, também, por Juninho.

Vocês sabem quem é Juninho? Juninho é aquele garotinho de boa família, bem criado, inteligente, educado, responsável, bondoso, honroso e... entenderam, não foi??? O cara tá fudido na verdade. Isso tudo é a expectativa que se cria em torno dele, e o cara coitado, vive na sombra dessa personagem, esforçando-se para ser sempre esse vencedor que esperam dele. Às vezes essa criatura está em constante conflito com seus talentos ou instintos naturais, tudo por causa do fardo que é o "inho".

Eu, que escrevo esta bobagem, sou um "inho", e quero aqui, em nome de todos, dar-nos o direito de ser mal criado, burro, mal educado, irresponsável, ruim, desonroso..., o direito de escrever um texto cheio de erros de concordância e etc... Acredito que poucos "inhos" pensaram sobre este dilema, os que não pensam, apenas vivem; Acredito também, que as pessoas não sabem ou não percebem que esse sufixo acarreta tanta responsabilidade; por isso, por esperar-se tanto do "inho" que digo que essa porra ainda é característica de aumentativo. Tudo isso é fruto de um processo quase inconsciente (vejam só, neste texto me dou, também, de apenas por deduções empíricas, o direito de discutir sobre assuntos que não tenho categoria qualquer para fazê-lo), que pouco se percebe.

Por fim, em tempo, requero (esse termo besta aprendi no Juizado, onde eu trabalho. Queria usá-lo de alguma forma.) o direito de, assim como um "ão" (Ricardão, Maurição, Murilão, etc...), escrever tolices confusas, bastante particulares e que ninguém se interesse banana nenhuma. Enfim, o direito de fracassar sem que alguém diga: Até tu Juninho?!?!?!?

por deepak



Escrito por ecronicos às 01h13
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